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Vittorio Medioli

Empresário e político de origem italiana e naturalizado brasileiro, Vittorio Medioli é presidente do Grupo SADA, conglomerado que possui mais de 30 empresas que atuam em diversos segmentos da economia, como logística, indústria, comércio, geração de energia e biocombustíveis, além de silvicultura, esporte e terceiro setor. Estudou Direito e Filosofia pela Universidade de Milão. Em sua coluna aborda temas diversos como economia, política, meio ambiente, filosofia e assuntos gerais.

OPINIÃO

Evolução e compreensão

Angústias, tristezas, melancolias, frustrações e até a solidão do incompreendido são facetas a lapidar de uma pedra que se chama “vida"

Por Vittorio Medioli
Publicado em 15 de setembro de 2024 | 09:51

O indivíduo consciente entende que sua vida não é o começo nem o fim de uma trajetória evolutiva. 

Se no Antigo Testamento encontra-se que “a vida do estulto é pior que a morte”, também se acha que “onde existe o conhecimento, aí tem muita dor”.

Ora, ser ignorante e feliz? Ser uma fera saciada de seus desejos? Ou sofrer irremediavelmente das dúvidas e das angústias que o saber proporciona? Ficar na pequenez e dela aproveitar os prazeres físicos? Ou se voltar para os horizontes de um infindável e enigmático universo?

“Nihil cogitantium jucundissima vita est”; assim, “não pensar deixa a vida felicíssima” pelas sensações e prazeres que se apagam como um fogaréu de palha? Contrariando o caminho da ignorância, os estoicos diziam: “Sapere longe, prima felicitatis pars est”, isto é, “saber enxergar longe é o primeiro o para se chegar à felicidade”. 

Os dois são caminhos antagônicos: o do prazer fisiológico, fim em si mesmo, decididamente o mais usado pela humanidade, ou a busca da evolução espiritual, que a pelo estudo, pelo saber, pela abstinência. 

Para alguns, a felicidade se concentra em copos de cachaça, mas não para nem na taça de champanhe, levando prematuramente aos incômodos da doença, se transforma em vaidade, em desejo de poder que nunca se sacia; para outros, menos numerosos, é a dedicação ao ideal transcendente, que vê no sacrifício não um espantalho, mas uma agem obrigatória, um pedágio para a evolução. 

Entre a cruz e a espada, o caminho a “per aspera” e vai “ad astra”. 

Subir às estrelas, aos píncaros da essência humana, transita justamente pela aspereza das renúncias, das quedas, da solidão e sempre pela incompreensão. O indivíduo consciente entende que sua vida não é o começo nem o fim de uma trajetória evolutiva. Em suas escolhas, vê oportunidades que formarão seu cabedal íntimo, indestrutível e eterno. 

Dante avisou: “Feitos não fomos para viver como embrutecidos, mas para perseguir virtudes e conhecimentos”. Angústias, tristezas, melancolias, frustrações e até a solidão do incompreendido são facetas a lapidar de uma pedra que se chama “vida”.